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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Pílulas 4

"O corpo, este volume concreto, não tem nada de natural - em rigor, não existe 'corpo natural', espontâneo e livre, 'pura potência', anterior a qualquer trabalho da cultura - ele ´sempre resultado de investimentos de poder e de enunciações por saberes: sua própria 'natureza ' é construída." (PRADO FILHO; TRISOTTO, 2008, p. 116). 

Para Foucault (2008a), o poder se exerce nas ações cotidianas, e é no cotidiano do corpo que ele estará presente... O corpo só é útil na medida em que é produtivo e dócil, passível de transformação e aperfeiçoamento...

"A normalização disciplinar consiste em primeiro colocar um modelo, um modelo ótimo que é construído em função de certo resultado, e a operação de normalização disciplinar consiste em procurar tornas as pessoas, os gestos, os atos, conformes a esse modelo, sendo normal precisamente quem é capaz de se conformar a essa norma e o anormal quem não é capaz. Em outros termos, o que é fundamental e primeiro na normalização disciplinar não é o normal e o anormal, é a norma. Dito de outro modo, há um caráter primitivamente prescritivo da norma, e é em relação a essa norma estabelecida que a determinação e a identificação do normal e do anormal se tornam possíveis. Essa característica primeira da norma em relação ao normal, o fato de que a normalização disciplinar vá da norma à demarcação final do normal e do anormal, é por causa disso que eu preferiria dizer, a propósito do que acontece nas técnicas disciplinares, que se trata muito mais de uma normação do que de uma normalização." (FOUCAULT, 2008b, p. 74-75).

"...diferentes distribuições de normalidade funcionarem umas em relação às outras e fazer de sorte que as mais desfavoráveis sejam trazidas às que são mais favoráveis. Temos portanto aqui uma coisa que parte do normal e que se serve de certas distribuições consideradas, digamos assim, mais normais que as outras, mais favoráveis em todo caso que as outras. São essas distribuições que vão servir de norma. A norma está em jogo no interior das normalidades diferenciadas. O normal é o que é primeiro, e a norma se deduz dele, ou é a partir desse estudo das normalidades que a norma se fixa e desempenha seu papel operatório. Logo, eu diria que não se trata mais de uma normação, mas sim, no sentido estrito, de uma normalização." (FOUCAULT, 2008b, p. 82-83).


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