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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Charges sexistas


Encontramos frequentemente assuntos controversos abordados através do humor. 
Segundo Bergson, "toda rigidez do caráter, do espírito e mesmo do corpo, será, pois, suspeita à sociedade (...) Ela está diante de algo que a inquieta, mas a título de sintomas apenas - simplesmente ameaça, no máximo um gesto. E, portanto, por um simples gesto ela reagirá. O riso deve ser algo desse gênero: uma espécie de gesto social.

O riso tem o poder de chacoalhar os ossos, fazer a energia circular, quebrar a rigidez física e mental. Mas o riso também pode ser fácil, nascido daquele humor gasto, afeiçoado a estereótipos.

Uma charge, "riqueza pobre", chamou minha atenção pelos seus inúmeros compartilhamentos no facebook. O autor ridicularizou o preconceito absurdo contra os nordestinos quando da vitória de Dilma. Um tema bastante apropriado para o humor e para o riso bergsoniano. Porém, para ridicularizar essa situação, o chargista encarnou o preconceito na figura da mulher, da mulher loira, da mulher loira e bonita, da mulher loira, bonita e esposa aproveitadora. E se é mulher e loira, claro, é burra. E seu contraponto? O homem, esposo trabalhador e detentor do bom senso. 

Por que ridicularizar um preconceito valendo-se de outro? Teria sido um lapso infeliz do autor? Não. Basta assistir "porque os tempos mudaram" e ver a encarnação da falta de noção na mulher, na mulher loira e, naturalmente, burra. A sabedoria? Novamente na figura masculina.

Os tempos realmente mudaram? 


Riqueza pobre
http://charges.uol.com.br/2014/10/31/cotidiano-riqueza-pobre/
  

Porque os tempos mudaram...
http://charges.uol.com.br/2014/09/24/porque-os-tempos-mudam/

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